sábado, 5 de janeiro de 2013

541.


« És o pesadelo do qual não quero acordar. És assustador num sentido que eu não tenho a certeza se alguma vez poderia afastar-me, não importa quão mau ficasse. Sinto-me presa quando estou contigo, como se estivesses a segurar a verdadeira essência de quem sou e se eu estiver muito tempo longe de ti, vou perder isso e nunca mais vou ser a mesma pessoa. De alguma forma, tu conseguiste obter o melhor de mim. Não só isso, mas por algum motivo, eu dei-te isso voluntariamente. Eu pensei que confiava em ti e eu acreditei em cada mentira que rolava da tua boca e serpenteava o seu caminho até ao meu cérebro. Algures ao longo do caminho, eu acreditei verdadeiramente que tu eras a melhor coisa que alguma vez me tinha acontecido. Pensei que fosse o destino. Mas tão rápido como veio o bom, tudo se tornou mau. De repente, reparei que o teu controlo estava a tornar-se mais apertado e o teu sorriso não era mais aconchegante, mas uma satisfação doentia. Era como se soubesses que eu estava desesperada. Tu continuaste a arrastar-me para baixo contigo até a minha vida se tornar uma espécie de inferno. O que começou como inocência e adoração tranformou-se rapidamente em desejo e ódio. Tu levaste o melhor e trouxes-te o pior de mim e desde que te conheci, nunca mais consegui voltar a ser a pessoa que costumava ser. Se pudesse livrar-me de ti, eu livrava-me; mas isso não é assim tão simples. Juntamente com o meu ódio e desprezo, é um amor culpado. Amo a maneira como me consegues fazer sentir coisas que mais ninguém consegue. Amo que nunca ninguém consiga entender a nossa relação. Amo como nunca me abandonas, porque deus sabe que toda a gente o faz. A dor que me causas é amarga e deixa-me faminta de mais. Não consigo muito de ti e tu sabes isso. Sou impotente. Desde o primeiro dia, ambos soubemos que eu estava condenada. E se isto é o inferno, eu não vou a lado nenhum, porque amor, nós vamos arder juntos. »

Sem comentários:

Enviar um comentário